Com a luta pelo título ao rubro, acho que passou despercebida a notícia de que os árbitros vão poder passar a apitar até aos 50 anos em Portugal. O atual limite de idade é de 45 anos, mas já podiam apitar até aos 48, com a bênção do Conselho de Arbitragem (CA).
Segundo o novo regulamento proposto pelo CA, vão ganhar mais dois anos, desde que reúnam condições físicas e técnicas, continuando a medida a ser excecional e a carecer de autorização prévia. Parece-me normal que os árbitros possam estender a longevidade profissional. Mas, quando constatamos, jornada atrás de jornada, prestações de fraca qualidade da maioria dos elementos da primeira categoria, a possibilidade de alguns deles continuarem em ação depois dos 45 anos, seja nos relvados ou como vídeoárbitros, deve ser motivo de preocupação. Por muito que o CA fale na vantagem de poder contar com "a enorme experiência acumulada e do conhecimento do jogo que daí advém", acho que a maior parte dos adeptos dispensava ter de continuar a levar com aqueles que estão constantemente envolvidos em polémicas, que cometem erros de palmatória, enquanto árbitros de campo e na função de VAR.
Esta medida também pode ser analisada sob o prisma do falhanço da renovação da arbitragem em Portugal, incapaz de atrair e de formar novos elementos, mesmo oferecendo já excelentes condições de treino e uma boa compensação financeira ao mais alto nível. Olho para os novos elementos que têm saído da "escola de árbitros" e, sinceramente, não vejo um que se tenha distinguido por exibir uma qualidade acima da média. Mesmo assim, confesso que prefiro assistir aos erros de quem está a dar os primeiros passos do que continuar a levar com os figurões - "vocês sabem de quem estou a falar", diria o ilustre Octávio Machado - que têm contribuído, por atos ou omissões, época após época, para alimentar a suspeição à volta da arbitragem. Poupem-nos, ao menos desses...
Editor-adjunto
