As forças de segurança merecem respeito
Há quem faça política à volta deste tema e sem saber do que fala! Eu, sinto-me perfeitamente à vontade pois, nas quase duas décadas de autarca, tenho o privilégio de lidar quase diariamente com as nossas forças de segurança, em especial a PSP e a GNR, desde os agentes no terreno à Direção Nacional e ao Comando Geral. No apoio logístico, no apoio operacional e sobretudo no apoio às instalações, quer como autarca de freguesia quer de Município, muito foi feito.
Sei bem, por isso, a pressão constante que no terreno sofrem, dia e noite, os agentes e guardas, os graduados e oficiais da PSP e da GNR, muitas vezes maltratados, insultados e ameaçados pelos cidadãos, ao que se soma o crescimento, cada vez mais acentuado nos últimos anos, de impunidade por parte de autores de muitos crimes.
Sim, é verdade o que se diz na gíria, que muitas vezes as forças de segurança arriscam a própria vida na prevenção criminal, no combate e nas detenções de autores de crimes, nomeadamente daqueles que criam mais instabilidade e agitação social, e, literalmente, saem do tribunal os polícias depois dos suspeitos.
A isso acresce a deficiente frota automóvel e de equipamento de proteção e armamento. Sim, é verdade que nos últimos anos o Governo fez um esforço nesta matéria, mas ainda não é suficiente!
E por isso, sim, é verdade que estes homens e mulheres merecem ser tratados com equidade face, nomeadamente, aos inspetores da Polícia Judiciária no que respeita ao suplemento de risco atribuído pelo Governo, no passado mês de dezembro, e promulgado pelo presidente de República. Um erro que nunca devia ter acontecido!
É certo que se abriu a caixa de Pandora; mas também já foi aberta, justamente, com os enfermeiros, os professores e os médicos! E é esse o caminho: aumentar a base salarial da Função Pública, tal como tem acontecido no privado. Senão, qualquer dia, o Estado não tem trabalhadores. E, no caso em concreto, a segurança é uma das mais importantes missões do Estado e que implica diariamente com a vida de todos nós.
A união dos polícias em volta deste tema, em particular a megamanifestação da passada semana frente ao Parlamento, não pode ser ignorada. O descontentamento é muito! A dignificação salarial da PSP, GNR e guarda prisional tem que ser uma das prioridades do próximo Governo. E não pode ser apenas promessa; terá mesmo que acontecer!
Até lá, esperemos que alguns partidos parem de se aproveitar de quem nos protege e faz um árduo e incansável trabalho!

