Até o mais convicto liberal do universo percebe que a crise por que passamos exige uma enormíssima intervenção estatal. O que está em causa é a comunidade e, gostemos ou não, é o Estado que melhor a representa. Quando os problemas são desta dimensão é seu dever fazer tudo para minorar os problemas dos seus cidadãos e concentrar em si as soluções.
O futebol também tem uma espécie de Estado, chama-se Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Os clubes ajudam-na promovendo o jogo e, sobretudo, formando jogadores e ela organiza uma parte do futebol.
A FPF tem-se dado muito bem. É uma organização rica, tem um património vasto, um canal de televisão (deve ser a única federação de futebol) e uma conta bancária muitíssimo bem recheada. A razão da opulência é conhecida: os jogadores portugueses têm tido um desempenho brilhante a nível de seleções e a FPF enriqueceu com isso. Não houve qualquer genialidade organizativa ou outra qualquer associada aos resultados, o que fez a diferença foi a capacidade dos clubes portugueses formarem fantásticos jogadores e treinadores; aliás, essa qualidade é reconhecida pelo mundo inteiro - só cá é que o nosso futebol é desprezado e tratado pelas entidades públicas como o diabo. A FPF deve tudo aos clubes.
Por enquanto, pareceu-me ver a FPF a interceder junto das operadoras televisivas para que cumpram os contratos com os clubes (que se não pagarem as tranches que faltam têm uma conduta, no mínimo, vergonhosa) e só fez o que lhe competia. Mas outras necessidades surgirão, nessa altura é bom que a FPF se lembre de quem a deixou rica.
A subir
Não tenho dúvidas de que os jogadores de futebol, sobretudo dos principais clubes, vão perceber que têm de aceitar uma muito significativa redução do ordenado. Bem sei que é um "alto" por antecipação, mas ou isso acontece ou não terão clubes para jogar.
A descer
Num momento em que nenhum cientista sabe qual vai ser a evolução do vírus e nenhum político sabe o que decidir no campo económico, a UEFA decretou o fim dos campeonatos para 3 de agosto. Os homens da UEFA comportam-se como o presidente do Turquemenistão, que proibiu a Covid-19.
* Adepto do F. C. Porto
