A dramática noite da passada quarta-feira só poderá ter apanhado desprevenido, ou espantado, quem é muito ingénuo ou anda na Lua. A mim só me custa é, durante semanas, terem-me autenticamente obrigado a ler, ouvir e ver economistas, politólogos, comentadores especializados e quejandos a, usando de linguagem mais ou menos esotérica, dizerem o que poderia dizer-se em palavras simples. Ou seja, que, no estado a que chegou Portugal, só havia duas saídas: aumentar a receita e diminuir a despesa.
Ao fim e ao cabo, governar um país não é muito diferente de governar uma casa. Em casa, se entramos em défice, ou tentamos arranjar mais uns tostões, fazendo uns biscates, ou cortamos nas despesas, comendo carapaus em vez de lagosta. O Governo demorou, mas lá chegou a esta doméstica conclusão…
Assim, José Sócrates e Teixeira dos Santos vieram anunciar-nos, com ar sofrido, que vamos fazer uns cortezitos na despesa - e, sobretudo, vamos buscar dinheiro onde o há. Ou seja, aos bolsos dos contribuintes. Alguém duvidaria ainda de que o coelho que o Governo tiraria da cartola seria exactamente esse?!
Sejamos honestos: teria o Governo outra solução? Agora, passando a uma segunda fase, andam os iluminados a que aludi a discutir se o Governo decidiu bem ou mal. Mas os «outros», o povo, preocupam-se sobretudo com o problema de como continuar a viver com menores ordenados e menos benefícios fiscais e sociais.
Não haveria mais solução, aceite-se; mas o Governo que se prepare também para o que vem por aí abaixo. Greves e manifestações de rua e, nas próximas eleições, o momento da vingança. E, sendo o PS o rosto do carrasco, a vingança já se pode calcular qual será…
