Certa vez Buda foi rodeado de pessoas que o insultavam, utilizando os piores impropérios. Ele ouviu-os em silêncio e, quando se calaram, disse: "Obrigado por virem ao meu encontro, mas estou com pressa. Tenho de ir para a próxima aldeia, onde tenho pessoas à minha espera. Não posso dispensar-vos mais tempo hoje, mas amanhã, quando regressar, terei mais tempo. Se alguma coisa ficou por dizer, poderão fazê-lo amanhã. Mas hoje terão de me desculpar."
As pessoas pretendiam ofendê-lo, mas ele percebeu a incorrecção delas, não aceitou as críticas, embora as ouvisse respeitosamente, e não retorquiu, porque sabia que as pessoas assim motivadas não seriam razoáveis a ouvi-lo e apenas estariam dispostas a uma discussão sem sentido, na qual ele não quis envolver-se. Manteve-se focado no que lhe interessava, tendo comentado depois: "Já não sou um escravo, sou o meu próprio dono. Actuo de acordo comigo, não de acordo com os outros. Não me podem forçar a fazer uma coisa."
Na vida, estamos sujeitos a que nos apareçam pessoas que procuram ofender-nos. Se mantivermos uma análise serena da situação poderemos perceber que isso é da responsabilidade dessas pessoas e que só nos atinge se nós consentirmos. Os nossos actos são da nossa responsabilidade e, se não quisermos envolver-nos, não nos envolveremos. Para isso, respeitamos os outros, mas devemos manter-nos focados no que nos interessa, concentrando a nossa energia na prossecução dos nossos objectivos.
Não nos devemos religar pelo pensamento ao que é negativo e, por isso, não podemos ficar contemplativos, como vítimas injustas. Desta forma, afinal, religar-nos-íamos ao que não presta, desconcentrando-nos e, para gáudio dos nossos ofensores, não realizando o que nos interessa.
O indivíduo consciente das suas capacidades não responde ao agressor, desvia-se respeitosamente, mas mantém-se muito focado na concretização dos seus objectivos, realizando, com satisfação, as coisas bonitas que tem para fazer.
