Brilhar na Europa não faz o futebol português ser mais forte
A passagem à fase seguinte dos representantes portugueses nas competições europeias e a ultrapassagem aos Países Baixos no sexto lugar do ranking da UEFA pode levar-nos a pensar que o futebol português está realmente mais forte. Mas não é bem assim. O Sporting, Benfica, F. C. Porto e Braga estão mais capazes no contexto europeu e até do ponto de vista interno, mas essa linha de entendimento não se aplica quando se olha para o nosso campeonato que continua a ter todos os problemas de sempre: é pouco competitivo, tem uma boa parte dos estádios vazios e o tempo útil de jogo anda distante de muitas ligas europeias de excelência. Aliás, basta olhar para a tabela e ver que os quatro clubes de carimbo europeu estão no topo e o resto parece ser paisagem, mesmo que haja sempre um V. Guimarães, Moreirense ou um Gil Vicente a afirmarem-se mais do que a concorrência.
A conquista do sexto lugar no ranking da UEFA pode significar muito pouco se não forem construídas bases para os clubes menos capazes crescerem e equilibrarem os pratos da balança. Logo, o tema da centralização dos direitos televisivos ganha agora uma força ainda maior na distribuição mais equitativa do dinheiro para tornar o campeonato mais competitivo. Mas para que assim seja também é preciso haver união numa indústria onde cada um só pensa em si próprio. Um exemplo? Ainda recentemente, os clubes da Liga chumbaram o modelo de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA. Assim, nunca seremos grandes e muito menos os mais fortes.

