Em matéria de moletes, eu prefiro os cacetes, os cacetinhos, melhor dizendo, aqueles mais pequenos, versáteis para qualquer sande, da mais simples, só com manteiga, à mais elaborada, com vegetais lá pelo meio. Mas um destes dias, ao comprar os tais cacetinhos, reparei, ou fizeram-me reparar, que os cacetinhos estão a ficar mais "inhos". Embora o preço esteja cada vez mais "ão". O preço subiu e o cacetinho mingou. Nada de mais. O cacete limita-se a acompanhar a filosofia económica do carrinho de compras: cada vez mais vazio, cada vez mais caro. E os produtos nem vêm embrulhados em ouro, como acontece como os bifes do Salt Bae. Quem? Também não estava familiarizado com esta estrela internética, mas ao que parece é um artista da cozinha turco, Nusret Gökçe, que tem uma cadeia de restaurantes conhecida pelos pratos luxuosos (com ouro, mesmo) e pelos quais cobra centenas e milhares de euros. A última estupefação coletiva chegou com a divulgação de uma conta superior a 160 mil euros para um repasto de 16 pessoas num dos seus espaços nos Emirados Árabes Unidos. E o Catar ali tão perto! Direitos humanos? "Enfim, esqueçamos isso". E vamos mas é comer um cacete.
*Jornalista

