Três semanas depois da pior tempestade das últimas décadas, não conhecemos ainda na totalidade a dimensão da destruição nem quantos milhares de milhões de euros é que isso representa. Há números, aliás, que nunca teremos. Porque a perda de vidas humanas e o sofrimento dos que ficaram em casas semidestruídas, sem negócio ou sem emprego, não são quantificados.
Mas é preciso fazer contas. Paulo Fernandes, que lidera a Estrutura de Missão que vai coordenar a reconstrução, estima que haja mais de cem mil habitações danificadas nos 68 municípios em estado de calamidade. Os autarcas da região de Leiria apontam para mil milhões de prejuízos só nos seus dez municípios. A Confederação dos Agricultores avança com perdas de 775 milhões nos setores agrícola e florestal. A Confederação Empresarial contabiliza custos de reconstrução superiores a quatro mil milhões. Há ruturas diárias em sistemas de abastecimento de água, que será preciso substituir. Há linhas de comunicações e de eletricidade por reconstruir, com efeitos cumulativos a cada dia que passa.
Os 2,5 mil milhões que o Governo anunciou são insuficientes. Mas, para além do dinheiro, que ainda não há, a tarefa de diagnóstico e reconstrução exigirá um esforço sem precedentes das famílias, empresas, autarquias e Estado. Esforço financeiro, de organização e de simplificação burocrática. E tudo isto precisa de vigilância. Desde logo, do presidente eleito com o maior número de votos de sempre. António José Seguro começou o seu discurso, no domingo passado, não a falar da vitória, que já era passado, mas do futuro, e da promessa de manter a exigência nesta crise. Desde então, parece ter feito voto de silêncio. É verdade que ainda não tomou posse e não tem os instrumentos constitucionais. Mas tem a autoridade política. Pode exercê-la a partir das Caldas, não precisa de estar em Belém para fazer a sua avaliação e dizer o que pensa. Como em tudo o resto, cada dia que passa é um dia perdido.

