Escrever uma coluna no JN, um jornal com 136 anos, é um gosto para mim. Representar nesta coluna o meu clube do coração dá-me um gozo suplementar, principalmente num país que reduz a maior competição nacional de futebol a três equipas... num total desrespeito por quem, como nós, acha que uma equipa de futebol representa uma comunidade e não um concurso vazio e viciado.
Um dos grandes desafios que enfrentei nestas crónicas foi o de poupar nas palavras, para que, em 1600 carateres, consiga dizer o que tenho a dizer.
Faltam-me, quase sempre, carateres para louvar o caráter desta equipa. Hoje, depois do jogo com o Nacional, sobram-me carateres para refletir sobre a enésima vez em que o Vitória poderia golear o adversário e se deixa enlevar e trair pela sorte. Tal frustração, numa quadra de paz e harmonia, chega a ser paradoxal.
Mas não dá para dizer mal desta rapaziada. Falharam, uma vez mais, por aselhice, mas têm o nosso símbolo ao peito e isso basta-me para escapar à ratoeira da crítica pelo tremendo desapontamento que nos causaram. Nós sabemos qual é o nosso barco e fazemos, orgulhosamente, parte dele. Há que tirar a água e não a deixar entrar.
O jogo foi, desde logo, marcado pela notícia da ida do treinador para outras paragens nacionais.
Já entramos a perder. A nossa ingenuidade é tão forte, que achamos que as coisas tendem a melhorar. Mas por estas bandas não: só pode estar bem quem tem dinheiro e influência para isso. Numa época em que se louvam, e bem, aqueles que resistem - à exceção do futebol -, só não passamos à categoria de adereços pois sabemos quem somos, e nisso temos orgulho.
*Adepto do V. Guimarães

