Admito que o celibato possa ser importante para que alguns idealistas se possam dedicar abnegadamente a determinadas causas, ou mesmo para o seu caminho de aperfeiçoamento ou de purificação. Mas também penso que o caminho de aperfeiçoamento ou de purificação pode ser e é feito por muitos homens e mulheres que optaram pelo casamento, os quais, muitas vezes realizam dedicadamente obras fantásticas, em prol de causas nobres.
Respeito e acredito no celibato voluntário, como opção do indivíduo, embora reconheça que é uma escolha exigente em termos de equilíbrio pessoal e autocontrolo saudável. Não acredito no celibato imposto, que me parece violentar as leis universais e susceptível de induzir problemas comportamentais de maior ou menor gravidade, como ligações afectivas camufladas, violações, relações homossexuais e comportamentos pedófilos.
A Igreja Católica acaba de reconhecer casos de abusos sexuais de menores, disponibilizando-se para ajudar as vítimas, reforçar a prevenção e colaborar construtivamente com as autoridades. Passos positivos depois de muitos anos a ocultar os factos, mostrando maior preocupação em proteger os abusadores do que em apoiar as vítimas!
Porém, a nova atitude da hierarquia católica parece surgir a reboque dos acontecimentos e não ser suficiente para a completa resolução dos problemas. Para suster com eficácia a pedofilia com esta origem parece necessário abolir o celibato obrigatório. O que deverá acontecer, mais cedo ou mais tarde.
Oxalá a Igreja Católica não deixe escapar esta oportunidade para um debate mais alargado e uma maior libertação de tabus. Seria bom rever a formação do clero, o desenvolvimento pessoal dos sacerdotes, o celibato e a igualdade dos homens e das mulheres perante a religião, ou seja, a possibilidade de ordenação de ambos os sexos.
Fica-se com a sensação de que segue devagar um processo evolutivo que teria muitas vantagens em ser mais rápido: para os sacerdotes, para a comunidade católica e para o mundo em geral. Mas, naturalmente, tudo virá a seu tempo.
