Houve uma altura em que não se podia falar em "mau tempo", porque se entendia ser desaconselhável desprestigiar o inverno. Por mais rigoroso que ele seja, a chuva é muito necessária, mormente para a agricultura. Mas o mau tempo estabeleceu-se como definição geral para as tempestades, depressões, intempéries que assolam um planeta em "caos climático", assim o descreve o Relatório sobre o Estado do Clima, publicado na revista científica BioScience no final do ano passado. Os fenómenos extremos são mais frequentes, mais intensos e, apesar de poderem ser mais previsíveis, devido aos instrumentos tecnológicos que hoje permitem a organismos como a Proteção Civil estabelecer alertas, que ajudam a população a salvaguardar vidas e bens, a força da destruição só se mede verdadeiramente quando eles se afastam. Além das mortes trágicas, os prejuízos materiais são cada vez mais avultados. Os cálculos deste inverno estão por apurar, mas os do verão passado ascendem a mais de 43 mil milhões de euros na Europa. Em Portugal, no mês passado, as cheias que afetaram Modivas, em Vila do Conde, provocaram 250 mil euros de prejuízos que não estavam cobertos pelo seguro. A expressão "novo máximo" banalizou-se quando se fala do clima, porque estamos para lá de todas as balizas e métricas estabelecidas como limite - máximo de temperatura oceânica, máximo de calor, máximo de poluição, máximo de seca, etc. Apesar de os cientistas defenderem que os custos de implementar projetos de mitigação das alterações climáticas são mais baixos que os causados pelos episódios meteorológicos severos, falta ousadia para implementar tais medidas, e vontade. O ambiente até pode não ser prioridade num mundo voltado para a economia, mas nem todos os telhados se aguentam mais uns séculos.
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