Cibersegurança: confiança e responsabilidade
No final do passado mês de novembro, Vila Nova de Famalicão foi palco da 2.ª edição do Fórum de Cibersegurança da Administração Local.
O encontro, organizado pelo Centro Nacional de Cibersegurança, expôs uma realidade preocupante: o número de ataques informáticos continua a crescer significativamente em Portugal - em 2024, aumentou 36% face ao ano anterior - e os incidentes de cibersegurança não só vão continuar a ser uma realidade, como vão também agravar-se ao longo dos próximos anos, com recurso a técnicas cada vez mais sofisticadas.
Entre os serviços mais afetados por este tipo de ameaças estão os da Administração Pública, que nos últimos tempos têm manifestado algumas fragilidades a este nível, como foi disso exemplo o caso ocorrido em 2024 e que envolveu a Agência para a Modernização Administrativa.
Num momento em que a aposta na digitalização faz o seu caminho, é cada vez mais importante assegurarmos que estamos preparados para proteger e gerir de forma responsável a informação pública.
Se é certo que a transformação digital trouxe ganhos inegáveis na eficiência, na proximidade e na qualidade do serviço que prestamos diariamente aos cidadãos, não é menos certo que trouxe também novos desafios e novos riscos que não devem ser ignorados se queremos ter ambientes digitais protegidos.
Para o ano de 2026, o Município de Vila Nova de Famalicão já estabeleceu como objetivo a digitalização total dos seus serviços, mas todos sabemos que uma transformação digital segura e bem-sucedida só será possível tendo como prioridade estratégica as questões da cibersegurança, a proteção dos dados do cidadão e das infraestruturas digitais municipais, a formação e a capacitação das nossas equipas e a adoção de normas que nos permitam estar protegidos.
A cibersegurança não pode nem deve ser tratada como uma mera questão técnica, mas sim como uma questão de responsabilidade.
Nenhuma organização está livre deste tipo de incidentes ou ameaças, mas estar ou não preparados fará toda a diferença.
Só assim seremos capazes de manter uma relação de confiança com os cidadãos. Só assim evitaremos falhar na proteção dos serviços, dos dados e, mais importante, na proteção das pessoas.

