O Vitória, este ano, nunca me deixou adivinhar o futebol agradável, envolvente e comprometido que atualmente joga. Esta transformação de patinho em cisne é mérito da equipa, de quem a concebeu e de quem a lidera. A nós, na bancada, só nos resta apoiar massivamente, como apoiamos, e reconhecer o mérito dos jovens jogadores e do jovem treinador que os lidera. A exigência e, sobretudo, a generosidade, são faces indissociáveis do adepto vitoriano
Esta (surpreendente e vertiginosa) mudança para cisne merecia outro desfecho. O jogo teria sido muito importante para a afirmação desta equipa no campeonato. O Vitória entrou bem, dominou claramente a partida, com o F. C. Porto, durante a primeira parte, a tentar minimizar danos. Aliás, o adversário faz o primeiro remate à baliza no lance do primeiro penálti. Lance que seria seguramente analisado de outra forma, assim como os critérios disciplinares, caso as camisolas estivessem trocadas.
O que dói mais no resultado é a importância e moralização que a vitória nos daria contra o líder do campeonato. Uma equipa trabalhadora, prática e bem orientada, diga-se. Assim não deu, não foi suficiente.
Custa olhar para o que sobra e contentarmo-nos. Mas teremos que o fazer, pois (quase) todos jogadores estiveram a um nível alto, com um sentido de compromisso notável e com uma confiança digna de campeões. Nos destroços de um jogo mal perdido, perde-se ainda o Beni para a próxima jornada. E se a isso acrescentarmos o Tony Strata, a partida, além do resultado injusto, encerra em si laivos de alguma imerecida tragédia.
Ó deusa Fortuna, filha de Júpiter, protege-nos.

