Sem galo algum, uma vitória inequívoca e fundamental, apoiada nos princípios que nos têm permitido uma caminhada sem derrotas, histórica e recordista. Porém, naturais dúvidas adensavam-se antes do jogo, muito fruto de um conjunto de resultados que o F. C. Porto venceu pela margem mínima e onde as exibições ficaram aquém do esperado, nomeadamente no jogo na República Checa onde não fomos além de um empate. A aparente falta de fulgor da equipa, numa espécie de versão prometida de cansaço, era tudo aquilo não se queria confirmar, frente a um Gil Vicente maduro, bem orientado e a realizar um campeonato excepcional. Desde o primeiro minuto sentia-se que a noite não era de hesitações, mesmo com a pressão dos resultados de Sporting e Benfica.
A grande exibição de Martim Fernandes é um dos pontos altos do jogo. Há um crescimento que tem dedo do treinador e da confiança que injecta num modelo defensivo férreo, tão sólido que ainda não sofreu uma mão de golos na Liga. Ao crescimento de Martim não é alheia a capacidade das duplas de centrais (seja Bednarek, Kiwior ou Thiago Silva), assim como a já indiscutível presença de Pablo Rosário no andamento e construção do meio campo. Apesar da explosão ofensiva de Alberto Costa, Farioli parece agora privilegiar o comportamento obstinado de Martim na forma como se liga ao jogo. O penálti de Samu - que o recupera para um lugar mais distante do duplo falhanço - é outro dos focos da noite. Para um jovem que não suporta o insucesso sem se envolver em comoção, nada melhor do que sofrer e marcar um penálti que entregou a serenidade coletiva que a equipa tanto precisava para ultrapassar as margens mínimas e regressar às exibições convincentes. Falta um jogo para receber o Sporting.
*Adepto do F. C. Porto

