Se há coisa que, enquanto país, sabemos fazer bem é receber. Sejam eles visitantes mais qualificados ou menos exigentes. Portugal é um renomado paraíso turístico e, por vezes, só precisamos de sair do retângulo mágico para nos darmos conta dessa realidade. Os últimos anos têm sido de recordes sucessivos, mesmo descontando os engulhos que, potencialmente, podiam ser impeditivos deste êxito retumbante que faz rejubilar ministros e secretários de Estado: o excesso de turismo nas grandes cidades, o caos na receção aos viajantes no Aeroporto de Lisboa e a tremenda dificuldade em cativar mão de obra qualificada e bem remunerada que faça prosperar o negócio.
Este movimento nacional traduz, de alguma forma, as dores do Mundo ocidental. Hoje, as prioridades da sociedade de consumo são outras. As viagens, a fruição e o conforto emocional e material superam os valores que vimos consagrados quase de forma religiosa pelos nossos pais e avós. Portanto, chegados aqui, importa perguntar se queremos crescer e diversificar mercados e regiões ou se vamos enveredar por uma lógica fatalista de quanto melhor, pior. No fundo, se vamos continuar a comer os ovos de ouro melhorando a ração da galinha ou se, por oposição, vamos comer os ovos e a galinha.
Não matar este sonho implica, mais uma vez, ter uma visão agregadora do território, mostrando ao Mundo que há outras montras em Portugal além de Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Fátima e Algarve. Essa, sim, devia ser a prioridade e a discussão. Para onde é que vamos fazer transbordar os turistas, contaminando positivamente parcelas importantes do país que só estão à espera de ser descobertas.

