Uma greve geral foi convocada para o passado dia 11 de dezembro, em resposta ao pacote laboral apresentado pelo Governo. Muito foi discutido sobre a necessidade desta greve, inclusive pelo primeiro-ministro e pela ministra do Trabalho.
Ao ler as notícias do dia e ao ver as muitas entrevistas feitas em manifestações e paragens de autocarro, concluí que os portugueses não sabem para que serve uma greve geral.
O direito à greve é uma das heranças do 25 de Abril, e o motivo é evidente: uma greve é uma forma de protesto, o que já por si é inconcebível numa ditadura, mas o seu propósito é a união dos trabalhadores na reclamação de condições de trabalho dignas. Por isso, ao contrário do que o primeiro-ministro tentou disseminar, todas as greves são de natureza política.
A greve não foi convocada por capricho ou perseguição política, mas sim porque o novo pacote laboral é composto por medidas precárias que retirariam proteções legais aos trabalhadores. Os portugueses não desconhecem a greve e os seus impactos, mas pareceu-me haver um certo esquecimento do objetivo de uma greve geral: unir os trabalhadores, parando a economia, e mostrando a sua importância para a movimentação de uma economia, que no caso foi considerada a economia do ano.
O que a greve não é é um dia de férias. E foi assim que muitos portugueses a encararam, enchendo centros comerciais para comprar os presentes de Natal, e indo contra o objetivo de paralisar o país. E isso revela uma falta de respeito com uma causa que deveria ser comum, mas acima de tudo isso, um desrespeito para com os trabalhadores do setor privado que, por motivos financeiros ou com medo de represálias da sua entidade patronal, se viram impossibilitados de aderir ao movimento.
Uma greve geral não nos obriga a ir a manifestações, mas para ser o mais clara possível, pressupõe diminuir o consumo o máximo possível, pois só assim se paralisa o país. E quando absolutamente necessário, porque não apoiar pequenos negócios?
Para recapitular o nosso tutorial: como fazer uma greve? 1) Não ir trabalhar; 2) Planear o nosso consumo necessário previamente à data; 3) Evitar comprar o que quer que seja no dia, mas se absolutamente necessário...; 4) apoiar negócios locais.
Agora já podemos melhorar para a próxima vez!
Já dizia Zeca Afonso, o povo é quem mais ordena. E se quando se mudam os tempos, se mudam as vontades, deixemos que essas sejam as nossas.

