As contas fazem-se no fim. A virtude está no meio mas é pouco dada a adições, subtrações, multiplicações ou divisões.
E no princípio era o verbo. Por isso, as contas fazem-se no fim. Mesmo as de milhões. Enquanto Jesus passeia o jeco na praia, o país reflete. E reflete nos milhões que o Liverpool quer dar pelo Díaz e nos milhões que, muito alegadamente, uma catrefada de clubes quer dar por craques de uma equipa que não ganha troféus há um tempinho.
O país que tem um salário mínimo de setecentos e poucos euros exulta com os milhões da bola. E é tudo normal. É a indústria. É o mercado. E o mercado é quem mais ordena. A bola é um mundo à parte. Sai um pão com manteiga e um café para a mesa dois. A vida continua. E as contas fazem-se no fim do mês. 1-1=0. A prova dos nove? Fazia já aqui ao lado, se soubesse como. Vou refletir.
*Jornalista

