No programa Português Suave, da Rádio Observador, um podcast sobre a língua portuguesa, conduzido de forma muito interessante pelo linguista Marco Neves, deparei-me, para minha surpresa, com a palavra coqueluche e seu significado.
Nunca me havia passado pela cabeça que coqueluche, na sua essência, designa uma doença infeciosa que atinge, sobretudo, crianças e adolescentes. Marco Neves de forma criativa atira a evolução semântica da palavra (que eu julgava ser o seu único significado) para o facto de ela se espalhar com facilidade e ser viral, ou seja, algo de que todos falam. Apesar da infeção não ser afinal viral, mas bacteriana, o seu caráter único e importante deu-lhe, assim, a liberdade semântica para designar algo de extraordinário.
O meu Vitória é - ou está a ser nos últimos jogos - uma coqueluche. Ora se acomete em algo que impressiona pela positiva, pela sua capacidade de empenho coletivo e de superação individual, ou, como aconteceu no último jogo, engasga-se e dá-lhe mais para a tosse convulsa. Perder o jogo depois de uma vantagem de dois golos é bem bacteriano e infecioso. É desapontador. Imagino o que sentiram as centenas de vitorianos que lá estiveram a sentir a chuva e o vento. A chuva e o vento ainda se aguentam se o resultado ajudar. Mas neste caso tudo concorreu para a depressão.
Há caminho pela frente, se bem que cada vez mais estreito. O futebol não é tudo, nem sequer o mais importante, mas seria interessante não sufocar no propósito. Fica, porém, o fraco (mas significativo) consolo de o Vitória ser o clube que utiliza mais jogadores nacionais. Sem tosse seria o ideal.
*Adepto do Vitória

