Entramos em nova data FIFA, período guardado no calendário para os compromissos das seleções nacionais. Aguarda-nos uma semana importante, com a esperada qualificação de Portugal para o Campeonato do Mundo de 2026.
As nossas seleções nacionais, hoje expoentes máximos da notoriedade do país, são património de Portugal. Um ativo intangível. Um produto de sucesso, no futebol, futsal e futebol de praia, masculino e feminino. Consequência de um modelo de negócio e de uma indústria que consegue, com consistência, formar e exportar profissionais de topo, com jogadores, treinadores, dirigentes e elementos de saúde a representarem Portugal nos quatro cantos do Mundo.
O futebol profissional, expoente máximo da modalidade e que recolhe os frutos do trabalho contínuo dos clubes e do movimento associativo da base, contribuiu, em 2023-24, com 662 milhões de euros para o PIB e mais de 268 milhões de euros em impostos. O Anuário do Futebol Profissional de 2023-24 (última edição disponível), elaborado pela EY, estima que o setor empregou 4400 postos de trabalho. Uma atividade económica com impacto em crescendo, mas ainda com reduzido reconhecimento.
Já aqui referimos a importância do ranking UEFA para a competitividade e sustentabilidade do futebol português. O impacto financeiro de uma boa campanha europeia é assinalável. Mais vitórias, mais receita. Ganha o ecossistema. Mas nunca é de mais apontar o contexto em que vive o futebol português e como os fatores externos limitam a capacidade de competir.
A elevada carga fiscal limita a competitividade e tem dificultado a retenção do talento, ao contrário do que sucede noutros países, que competem diretamente com as equipas portuguesas. Outro exemplo é o da IVA na bilhética, com um ingresso de uma prova desportiva a ser taxado a 23%, enquanto qualquer outro evento cultural tem uma taxa de 6%. Quem for ao Portugal-Arménia, domingo, no Dragão, pagará mais impostos do que para qualquer outro programa de entretenimento.
A FPF e o presidente Pedro Proença têm alertado para o impacto negativo dos custos de contexto na indústria. Não obstante o diálogo com o Governo e abertura por parte do Executivo, o desporto, e o futebol em particular, continuam a não ter o reconhecimento devido. E não tenhamos dúvidas: perdemos todos.

