De 2025 para 2026: a economia global presa na nova geopolítica
O ano de 2025 começou com uma promessa silenciosa: nada seria decisivo, mas tudo teria consequências. Ao longo do ano, a geopolítica confirmou essa intuição: menos choques súbitos, mais erosão lenta da ordem internacional que conhecíamos.
O conflito na Ucrânia manteve-se como o eixo central da instabilidade europeia. Sem vitória militar clara, 2025 foi o ano da guerra prolongada: desgaste industrial, fadiga política e uma economia russa adaptada a sanções imperfeitas. A pergunta deixou de ser "quem vence?" para passar a ser "quem aguenta mais?". Em paralelo, o Médio Oriente continuou a irradiar risco: a guerra em Gaza e a instabilidade no mar Vermelho afetaram cadeias logísticas, seguros marítimos e preços energéticos, mostrando como conflitos regionais têm impacto sistémico.
Neste contexto, a rivalidade EUA-China consolidou-se como uma guerra geoeconómica aberta. 2025 não trouxe rutura, mas sim normalização da fragmentação: controlos tecnológicos, subsídios industriais e "friendshoring" tornaram-se políticas permanentes. O comércio global não colapsou; fragmentou-se. E isso teve custos.
A União Europeia sentiu-os de forma particular: crescimento anémico, indústria sob pressão (sobretudo na Alemanha) e uma transição energética mais cara do que o previsto. Ainda assim, 2025 marcou uma mudança silenciosa: a UE começou a aceitar que poder económico exige poder político. O reforço da política industrial, o aumento sustentado da despesa em defesa e o debate sobre financiamento comum deixaram de ser tabus. A Europa não se tornou estratégica de um dia para o outro, mas deixou de fingir que podia permanecer neutra num Mundo polarizado.
Portugal refletiu esta ambiguidade europeia. Beneficiou da resiliência do turismo, do emprego elevado e dos fundos do PRR, mas expôs fragilidades estruturais: produtividade estagnada, crise na habitação e excessiva dependência de fatores externos. Em 2025, Portugal confirmou-se como economia estável, mas vulnerável às decisões tomadas fora das suas fronteiras.
No plano económico global, a inflação cedeu e os bancos centrais iniciaram ciclos cautelosos de descida de juros. Contudo, a dívida pública elevada e o investimento fraco levantam uma questão incómoda: será este o novo normal de baixo crescimento e alta tensão geopolítica?
O que esperar de 2026? Menos ilusões. A ordem liberal não será restaurada, mas também não colapsará. Para a Europa, e para Portugal, a questão central é simples e incómoda: adaptar-se ativamente ou continuar a reagir?

