Começo a ficar sem paciência para debates das presidenciais nas televisões. O último, entre Marques Mendes e Ventura, mostrou um cidadão educado mas sem rasgo vencedor contra um "casca grossa que cospe insultos e impropérios" como se não soubesse (mas sabe) onde está.
Diz-me alguém, no café, que corresponde à linguagem do povo, mas recuso, pois descontentes ou insatisfeitos com os políticos, ainda não chegamos a tal nível de pensamento e modo de o expressar em directo na TV. Claro que os portugueses, na hora, saberão escolher quem querem para primeira figura do Estado nos próximos 5 anos, mas por mais descontentes que andem com os políticos que temos, não levarão as suas decisões para quem insulta tudo e todos, como se vivesse sozinho numa casa só dele.
Coragem e identificação social não é aquilo que Ventura apregoa nem o que o comum cidadão pensa, pois discordando e insatisfeito com quem nos representa e governa, tem ainda o bom senso de saber que o momento político e social é mais extenso que no nosso território e não somos excepção. Vivemos um salto civilizacional complicado, tecnológico cultural e social, com custos ainda não de todo avaliados e com uma geração de políticos fracos, que esquecem o legado da geração anterior e não olham o Futuro como deve ser preparado.
Ventura é um arauto disto e os restantes são cúmplices, pois tal comportamento destes nossos representantes só pode servir a quem não acredita nos jovens e nos seus ideais, que sendo diferentes são capazes de assegurar os tempos de amanhã, seja um Futuro novo e marcante desta época civilizacional. É este o desafio que implica as nossas decisões e convém não esquecer de responder à chamada!

