O F. C. Porto foi o último dos grandes a apresentar as contas de 2020/21. Num exercício muito afetado pelo contexto da pandemia de covid-19, conseguiu um resultado positivo de 33,4 milhões de euros, em contraste com as perdas de Sporting (32,9 milhões de euros) e Benfica (17,4).
Se os números devem ser suficientes para tirar os dragões da vigilância da UEFA, libertando-os das amarras do Fair-Play Financeiro, não deixam de ser preocupantes devido ao gigantesco passivo de 526,1 milhões de euros, o maior dos três - o Sporting acumula dívidas de 310,5 milhões de euros e o Benfica de 379,6 milhões de euros.
Olhando para estes números, e numa análise à última década, verificamos que os passivos dos três clubes cresceram 435 milhões de euros, para mais de 1200 milhões. Este valor só pode gerar preocupação e mostra como continuam a viver muito acima das reais possibilidades. Recuando aos exercícios de 2010/2011, vemos que o F. C. Porto passou a ser o campeão do passivo, com um crescimento de 324,1 milhões de euros em dez anos, ao passar de 202 para 526,1 milhões de euros. O segundo lugar deste pódio pertence ao Sporting, que aumentou o passivo de 199,5 para 310,5 milhões de euros - mais 110 milhões! O único que manteve a dívida total estável foi o Benfica, que hoje deve exatamente o mesmo que em 2010/2011: 379,6 milhões de euros.
Se tivermos em conta as centenas de milhões de euros que embolsaram em transferências, este cenário negro é ainda mais incompreensível, ou talvez não - basta olhar para as milionárias comissões e afins pagas não se sabe bem a quem... Depois de uma década desperdiçada no equilibrar das contas, ou começam a gastar o dinheiro que têm garantido - e deixam de incluir nos orçamentos futuras transferências milionárias -, mesmo com custos desportivos, ou o abismo está a um passo. Olhem para o que está a acontecer ao Barcelona! Fica o aviso...
*Editor-adjunto
