Democracia +48 ditadura
Os 48 anos da revolução do 25 de Abril são uma efeméride diferente e especial das comemorações dos aniversários da marcante data de 1974, mesmo que, malgrado por ordem da matemática e do mediatismo de algumas decisões do Governo, seja a comemoração dos 50 anos que recebe mais importância.
De facto, esta data de 2022 torna relevante os 48 anos de Democracia, dado que dá início a uma etapa de supremacia do tempo da Democracia face ao tempo de ditadura.
A Democracia portuguesa já não é jovem. Já não tem idade para ser imatura e até já igualou e está a ultrapassar a idade da velha e demorada ditadura.
Para a Democracia que agora passa a ser sempre mais velha que a ditadura do Estado Novo, a vida tem de ser de afirmação por si mesma, de luta para que os estereótipos e os preconceitos de Esquerda, que ainda contaminam a vida política portuguesa, sejam arquivados na sua imaturidade e irrelevância, ficando para a história como resquícios de um tempo que não vai ter similitude no futuro próximo.
O Poder Local Democrático e o Serviço Nacional de Saúde são duas das principais conquistas do Portugal democrático, em relação às quais anoto aqui breves considerações, para esta nova fase da vida da Democracia portuguesa que tanto necessita de qualidade e de capacidade reformista.
O desenvolvimento de Portugal nos últimos 48 anos, o investimento público que facultou mais e melhor qualidade de vida aos cidadãos com uma presença em todo o território nacional, teve no Poder Local democrático um instrumento fundamental, que urge capacitar com mais competências num Portugal muito mais descentralizado e com a afetação de uma dotação do Orçamento do Estado bem maior do que a atual, cumprindo também um papel relevante no desenvolvimento de uma sensibilidade e de uma mobilização dos portugueses para uma participação cívica e democrática muito mais ativa.
A manutenção do Serviço Nacional da Saúde tem de assentar em muito mais do que em elogios e agradecimentos. É urgente o investimento nos recursos humanos, na criação e ativação do curso de Medicina em Aveiro, Évora e Vila Real, na criação e qualificação dos edifícios onde são prestados os cuidados de saúde primários e hospitalares, no equipamento moderno e necessário à prestação de serviços de elevada qualidade e em todo o território nacional.
Portugal quer mais, muito mais desta sua Democracia que, face à ditadura, passa agora a ostentar a bandeira +48.
Viva Portugal. Vivam bem melhor os portugueses em todo o Portugal.
*Presidente da Câmara de Aveiro
