Hoje, inicia-se um novo ciclo de governação no Porto, com a tomada de posse de Pedro Duarte como presidente da Câmara Municipal. Eleito por uma margem escassa, o novo autarca terá na geometria política o seu primeiro grande desafio, estando obrigado a negociar no Executivo para aplicar o seu programa.
Além da elasticidade negocial, Pedro Duarte e a sua equipa vão ter vários dossiers problemáticos pela frente ao longo deste mandato. Na mobilidade, por exemplo, há um nó para desatar com o projeto do metrobus, persistindo a dúvida sobre como vai operar a linha que já está concluída e o que vai acontecer à segunda fase. Ainda no mesmo tema, Pedro Duarte prometeu portajar a VCI a veículos pesados e isentar de portagens a CREP, dependendo de negociar essas medidas com o Governo.
Segurança e habitação são outras áreas críticas que a nova liderança autárquica terá de enfrentar. No primeiro caso, Pedro Duarte assumiu tratar-se da grande prioridade para o mandato, reconhecendo problemas sérios de marginalidade e a necessidade de serem reforçados os meios policiais. Uma vez mais, tal só é possível com uma boa articulação junto do Governo, aspeto em que o autarca do PSD dispõe de condições privilegiadas.
No segundo caso, o programa sufragado pelos eleitores aponta baterias à reativação dos projetos de conversão habitacional de imóveis públicos - como o Monte Pedral - e aposta na reabilitação do edificado, em detrimento de se investir em mais construção nova de génese social. Numa cidade onde 77% do solo está urbanizado, a opção parece fazer sentido, mas para isso também é necessária maior celeridade de procedimentos e um regime de incentivos eficaz, que mobilize os proprietários a renovar os seus imóveis e a colocá-los no mercado.
Estas e outras matérias vão ser essenciais para avaliar este ciclo novo que se inicia na Invicta. A expectativa é grande e os desafios, como sempre, são complexos. Cabe a Pedro Duarte e ao seu Executivo mostrarem aos cidadãos e às instituições que Porto é que vamos ter daqui para a frente.

