Após muito se ter especulado e dissertado sobre a nomeação deste novo ministro da Administração Interna e os seus predicados, atributos e defeitos, é importante que a sociedade entenda que para os profissionais que concorrem para a segurança do país, a questão jamais se colocará nesse nível pessoal e individualizado. Sobretudo, o que desejam é que as suas expectativas, fundadas em exigências que nunca foram para além do quadro da legitimidade e racionalidade, passem a ser consideradas, por este e por toda a classe política envolvente. Este pragmatismo de não relevar o "quem" deve a todos consciencializar que aqueles que produzem a nossa segurança pública não estão preocupados com quem os governa, mas sim na forma como o pretendem fazer, expectando que sejam credíveis, competentes e capazes de reconhecer que a segurança interna depende, fundamentalmente, destes polícias e que toda a ação política que incida sobre estes a interceta e influencia.
Apesar desta dimensão de importância e imprescindibilidade, estes últimos longos tempos têm revelado prestações políticas merecedoras de críticas generalizadas e, consequentemente, na sua perda de confiança.
Para esta descredibilização e desconfiança concorreram inegavelmente decisões como a de reconhecer o risco a alguns atores deste Sistema de Segurança Interna, relegando para um inadmissível esquecimento aqueles que mais se sujeitam e expõem. Apesar dessa decisão ter sido posteriormente atenuada por força de um acordo firmado entre polícias e Estado, a verdade é que, volvidos dois anos, parte desse compromisso ficou-se pela tinta da caneta, assumindo dimensões inqualificáveis de falta de compromisso. Com o mesmo resultado, invariavelmente, assistimos a estes profissionais serem recebidos na Assembleia da República, como ainda recentemente aconteceu relativamente à alteração das regras da sua desvinculação funcional em razão da idade, onde os parlamentares manifestam, nos seus gabinetes, anuência ao racional daquelas reivindicações, mas sem respaldo no momento da respetiva votação/decisão. Também, quando se anuncia a abertura de 200 promoções numa determinada carreira e depois não se regulamenta o necessário para a sua concretização, legitimam esse descrédito. Tudo isto, e muito mais, dá razão à descrença das forças de segurança!
Que o país, pela sua segurança, também neste âmbito, seja capaz de inverter os seus níveis de exigência, pelo menos, numa dimensão aproximada à que tem para com os seus polícias.

