Milhões de pessoas festejaram efusivamente a passagem do ano de 2025 para o de 2026. Dançaram, cantaram, abraçaram-se, conhecidos e desconhecidos, desejaram-se mutuamente saúde e paz. Nos dias seguintes, o Mundo mantém-se igual imerso num manto negro de ódio, exclusão, ganância e guerra, no qual parece já não haver espaço para o amor, a amizade, a fraternidade e a paz que individualmente desejaram uns aos outros. Enquanto aqui e ali se bebia champanhe e se ria, em outros lugares do Planeta caíam bombas e mísseis que matavam inocentes... sem fim de ano de esperança, apenas resistindo ao desespero, à solidão e à morte. Que é feito da geração que criou e alimentou os direitos humanos? Por onde andam aqueles que os receberam com o encargo de os fazer fortificar e transmitir aos vindouros? Que consciências são estas que já esqueceram ou lhes são indiferentes os sofrimentos indizíveis que o flagelo da guerra infligiu à Humanidade? Por onde se perdeu a fé dos homens e das mulheres nos direitos fundamentais do ser humano, na afirmação da dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos de todos e todas e das nações grandes ou pequenas? Porque é que as nações de boa vontade, que lutam por uma sociedade mais justa, que procuram implantar a paz, a igualdade de oportunidades, erradicar a pobreza, fomentar a fraternidade e solidariedade social, abdicam destes princípios em favor de viciadas relações comerciais e diplomáticas com países ditadores e criminosos que submetem os mais fracos e mais expostos a guerras fratricidas e materialistas? Chegamos a uma "estação" terminal dos direitos humanos? O Direito Internacional está moribundo. A ONU, desacreditada. A Declaração Universal dos Direitos Humanos inoperante. O Tribunal Penal Internacional mostra-se paralisado. Neste início de 2026, é importante, necessário e imprescindível que todos aqueles que nos seus votos desejaram a paz lutem civicamente para que em todo o Mundo se alcance uma paz justa, que preencha todos os requisitos e todos os objectivos constantes dos diplomas citados. Conscientes de que todos os povos estão unidos por laços comuns e de que as suas culturas foram construídas sobre uma herança que partilham... e de que nos séculos XX e XXI milhões de crianças, homens e mulheres têm sido vítimas de atrocidades inimagináveis que chocam profundamente a consciência da Humanidade, é fundamental que a nossa vontade se exprima publicamente, também numa corrente democrática e de paz, exigindo aos poderes que assumam decisões fortes e definitivas contra o fascismo, ganância e tirania daqueles que fazem do poder alavanca para a sua promoção pessoal doentia.
A paz depende da vontade dos seres humanos. A pobreza é erradicável, depende, também, da fraternidade, solidariedade e cidadania dos seres humanos. Vamos dedicar este ano a reerguer os direitos humanos e a transformar o Mundo num lugar melhor!
A autora escreve segundo a antiga ortografia

