Ao ler o livro "Algumas palavras do mais profundo do ser", do pensador alemão Karl von Eckartshausen (1752-1803), detive-me na seguinte frase: "Tenta afastar tua razão dos preconceitos, teu coração dos erros, tua actividade das ações que são contrárias à ordem e adquirirás a sabedoria".
Numa época em que tanta gente teoriza, ensina, explica e tão poucos concretizam, fazem, realizam, vale a pena ponderar que o caminho se faz caminhando. Vale a pena ponderar que cabe a cada um analisar por si - com liberdade de pensamento -, procurando perceber vantagens e inconvenientes e escolher o caminho que lhe parece mais apropriado.
Vale a pena concentrarmos a nossa atenção e o nosso esforço em conhecermos os próprios erros, cientes de que o nosso contributo para um mundo melhor deve começar por nós próprios. E, identificados os erros, definirmos uma estratégia para os corrigirmos, tendo o prazer de fazermos jus à nossa própria evolução.
Pensando harmoniosamente em sintonia com o Todo Universal, criamos condições para respeitar as leis universais e, logo, as leis dos homens. A satisfação de estarmos bem com a nossa consciência, o prazer espiritual de nos sentirmos verdadeiramente iguais a nós próprios - àquilo que desejamos ser no mais profundo do nosso íntimo -, supera de muito longe os pequenos prazeres físicos das leviandades que por vezes nos permitimos.
Será natural que à medida que nos vamos esforçando construtivamente para sermos e fazermos melhor, vamos conseguindo sê-lo e fazê-lo. E que, à medida que vamos conseguindo bons resultados, ou seja, evoluindo, nos vamos motivando para cada vez mais aprendermos e melhor sermos.
Claro que sempre vem o momento de falharmos. Mas sempre, sempre existe o tempo de corrigirmos, de progredirmos, de positivarmos os nossos pensamentos, as nossas palavras e as nossas acções. Como nos indica - sempre - o mais profundo do nosso ser.
