Há semanas, apareceu no Douro uma draga, munida de guindaste e enorme apetrecho para extrair areia do fundo do rio. Mergulho a mergulho, ia limpando o que estava a mais para a navegação e, quando enchia o porão, despejava-o a Sul da Barra. Operava de dia e à noite encostava no cais da Ponte da Arrábida. Mas o ritmo não seria suficiente para desassorear o rio.
Apareceu então uma draga que não só recolhia a areia como a aspirava, dia e noite, sem parança, entre Sobreiras e o Ouro, e despejava-a no Atlântico. Mas, tal como apareceu, esta draga desapareceu.
Descobri depois as razões do afã, quando anunciaram o Dia da Marinha e a vinda ao Porto do navio-escola Sagres e da fragata D. Francisco de Almeida. E percebi : era preciso preparar o rio para que navegassem seguramente. E vi-os passar com certa emoção.
De qualquer modo, como o episódio demonstra o respeito com que a Armada continua a ser vista, devíamos aproveitar a lição e sugerir um Dia da Infantaria, com desfile de tropas e veículos na VCI. Seria a maneira de desviarem o trânsito de pesados para a CREP e ali ficar para sempre. Outro dia seria dedicado à Engenharia Militar que, preparando o desfile, poderia, com competência, "arrumar" o caos da Circunvalação.
A mesma Engenharia, associada à Marinha, organizaria um desfile entre Porto e Gaia, construindo uma ponte pedonal tecnologicamente avançada sobre o Douro. Obras que, contrariamente à areia que, um dia destes, volta a assorear o rio, seriam definitivas. E assim o Burgo, infinitamente agradecido, ficaria rendido à importância das Forças Armadas para o nosso progresso.
*Professor e escritor
O AUTOR ESCREVE SEGUNDO A ANTIGA ORTOGRAFIA

