Esperança. A alma da enfermagem
Hoje, assinalamos o Dia Internacional do Enfermeiro. Isso obriga-nos a refletir sobre a magnificência desta profissão. Não falo apenas de números, escalas, turnos, horas por dormir ou desafios burocráticos. Falo de algo mais profundo. A alma da enfermagem.A história da enfermagem em Portugal é feita de coragem silenciosa. Desde os tempos das misericórdias, passando pelas casas de saúde, pela guerra, pela construção do Serviço Nacional de Saúde, até às unidades diferenciadas de hoje, os enfermeiros têm estado sempre na linha da frente.
Hoje, celebramos a construção coletiva de uma profissão que tem sabido crescer com ciência e rigor. Enfermagem é conhecimento, técnica, decisão. Mas é, acima de tudo, relação. Proximidade. Com quem sofre, com quem espera e com quem luta pela vida. É neste espaço de cuidar, capacitar e curar que vive a enfermagem.
O 12 de maio faz ecoar o nome de Florence Nightingale, fundadora da enfermagem moderna, que há mais de 160 anos compreendeu que cuidar é mais do que intervir. É estar e transformar. E é essa herança que nos acompanha até hoje. A “lâmpada” de Florence pode já não iluminar os corredores, mas a sua luz permanece em cada enfermeiro que entra num quarto, que segura uma mão com ternura, que dá uma notícia com empatia, que orienta, que ensina, que escuta ou que trata.
Num país que tantas vezes esquece quem o mantém de pé, os enfermeiros são os pilares silenciosos do sistema de saúde. Dão mais do que recebem. Escolhem a presença, mesmo em cenários adversos. Cuidam com humanidade mesmo quando o contexto quer desumanizar.
Sinto orgulho em cada enfermeiro. Nas unidades hospitalares, nos cuidados de saúde primários, lares, domicílios ou escolas em meios urbanos ou remotos, há sempre um enfermeiro. Consigo leva conhecimento e humanização.Apesar dos avanços, precisamos de melhorar a autonomia clínica da profissão através de formação contínua e robustecimento das condições de trabalho.
O lema do ICN para o ano de 2025 relembra que “cuidar dos enfermeiros fortalece as economias”, porque cuidar de quem cuida é garantir a sustentabilidade do sistema de saúde.
Acima de todos os dias, hoje, quero deixar, a cada enfermeiro, uma palavra de respeito pelo que representa e de gratidão pelo seu compromisso com a dignidade humana que é, em última análise, o nosso verdadeiro valor.
Que nunca nos esqueçamos: enquanto houver enfermeiros, há esperança.
Bem-haja a todos os enfermeiros.

