Felizmente, no Porto não se fizeram sentir com a mesma intensidade os efeitos do "comboio de tempestades" (particularmente da Kristin) que assolou dramaticamente parte do país.
Mesmo assim, a cidade sofreu as consequências, com desabamentos, quedas de árvores e estruturas, e cheias do Douro a afetarem, particularmente, a zona de Miragaia.
Mas, no dia 10 de fevereiro registou-se, novamente, uma enxurrada proveniente da zona das Fontainhas, que provocou uma enorme cascata sobre a Avenida de Gustavo Eiffel, entre as pontes do Infante e de D. Maria. Não teve a dimensão da enxurrada que ocorreu, na mesma zona, em janeiro de 2023 (e que provocou fortes prejuízos no chamado Bairro dos Moinhos) mas a verdade é que se repetiu a situação que, de acordo com as informações então prestadas pela autarquia, se deveu à ribeira do Poço das Patas.
Na sequência dessa enxurrada de 2023, a Câmara Municipal do Porto anunciou a adoção de medidas mitigadoras. No site da Câmara Municipal do Porto podemos ler, num texto de 10 de março de 2025: "Este espaço verde [Jardim Paulo Vallada], que une a Avenida de Fernão de Magalhães à Rua de Santos Pousada, esconde, no seu subsolo, o troço de água responsável pelas inundações de janeiro de 2023 e que causa o chamado efeito cascata, na zona das Fontainhas, em alturas de chuva intensa. A ribeira do Poço das Patas tem uma bacia de cerca de 1,6 km2 e percorre vários arruamentos importantes da freguesia do Bonfim, passando por este jardim e pelo do Campo 24 de Agosto. A obra que agora decorre pretende criar cinco pequenas bacias (...), que servirão de áreas de armazenamento de água em condições extremas de chuva. Este efeito "esponja" fará com que a água perca força, reduzindo a possibilidade de inundações pelo caminho e a turbulência das águas na sua chegada ao rio Douro, junto à Avenida de Gustavo Eiffel."
Concluída a obra, pelo que me dizem moradores da zona, não houve acumulação de águas significativas nestas bacias de retenção e verificou-se nova enxurrada nas Fontainhas. Correu alguma coisa mal? Não teve, a obra, o efeito pretendido? Os problemas são a jusante? É importante que o Município esclareça estas questões, até porque adotou soluções semelhantes para outras ribeiras. Porque não podemos atuar, apenas, a posteriori, quando as consequências são catastróficas. O tempo não é, por isso, de descanso, mas sim de análise cuidada do que se passou para que, quando uma tempestade Kristin qualquer passar pelo Porto, saibamos que o que pode ser evitado foi, de facto, evitado.

