"A confusão da simplificação do sistema europeu frustra as empresas". O título é de um artigo ontem publicado pelo jornal "Politico" e parece ser contraintuitivo, tendo em conta que é mais usual ouvir críticas à teia burocrática excessiva tecida por anos de trabalho na regulamentação do mais pequeno detalhe dos produtos e serviços que entram ou saem do espaço da União Europeia (UE). Na América Latina, dizem que a UE é demasiado complicada e lenta quando é preciso abrir caminho a um investidor e o mesmo podemos escutar quando o interlocutor é norte-americano ou chinês.
Dan Wang, especialista em tecnologia, caracteriza a Europa como sendo a "economia dos museus". Wang, chinês que vive nos EUA, considera que a UE privilegia a regulação, a ética e as glórias do passado em detrimento do empreendedorismo efetivo e da inovação, contrastando essa abordagem com o otimismo tecnológico dos Estados Unidos e a rápida industrialização da China, neste último caso muito facilitada pelo empenho direto ou indireto do Estado.
Paradoxalmente, as multinacionais, já rotinadas com os labirintos de Bruxelas, reclamam agora alguma previsibilidade, uma vez que Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, tem vindo a revogar dezenas de regras, numa tentativa de propiciar a rentabilidade das empresas e a criação de emprego. Incentivada pelos líderes da UE a desmantelar regulamentações de forma rápida e sem alarde, a Comissão apresentou no ano passado dez pacotes de simplificação para atenuar as regras nos setores agrícola, ambiental, tecnológico, de defesa e automotivo, bem como no acesso ao financiamento da UE. Para quem já está instalado, as alterações trazem angústia. Para aqueles que querem entrar neste mercado, a simplificação é bem-vinda.

