O voto é a matéria-prima da nossa liberdade. Convém não o dar sem antes dormirmos mal pelo menos uma noite. Sem uma bela insónia, depositamo-lo de graça e pode sair-nos muito caro.
Na era da suspeita e da descrença, da desconfiança e dos novos populismos - na era de uma incivilidade brutal -, votar é cada vez mais um acto de fé, um acto de confiança. E também a nossa quota-parte de resistência.
Mas, paradoxalmente, esta fé precisa de provas, caso contrário, o voto é apenas o selo de um acordo passional, a concretização de impressões vagas que têm mais que ver com descontentamento do que com a escolha de quem melhor desempenharia o cargo de presidente.
Na minha noite mal dormida, respondi a algumas perguntas. Quem deu mais provas de conhecimento? Quem deu mais provas de diálogo? Quem deu mais provas de moderação, sensatez, bom senso? Quem deu mais provas de experiência e dedicação à coisa pública? Quem conseguirá navegar melhor nas incertezas de uma sociedade tribalizada, de um país agarrado às redes sociais, onde a opinião é dogma e a discordância agressão? Quem defenderá melhor a democracia? E também: qual dos candidatos representará melhor todos os portugueses?
Dou de barato que estas perguntas não são exuberantes, nem as que se adequam mais aos tempos. Desde logo, porque são apenas perguntas - e não os berros acusadores a que ultimamente nos habituámos. Perguntas do exame de consciência que eu pus a mim mesmo, não pedras para acertar em alguém.
Mas dêem também de barato que, sem elas, nenhuma pessoa tem condições para ser o fiel da balança nem conseguiria usar a influência do presidente da República para a união e para a mudança.
Quanto a mim, o nome que responde a estas perguntas é Luís Marques Mendes. E creio-o de tal maneira, que aceitei, como independente que sou (e sem qualquer participação anterior do género), pertencer à comissão política da sua candidatura.
Tenho acompanhado de perto o conhecimento profundo dos dossiês e a força que dá a Luís Marques Mendes querer diálogo genuíno, a força de ouvir os intervenientes em áreas críticas para o país, como fez nas causas da Presidência sobre combate à pobreza, saúde, justiça, habitação, imigração, ambiente, educação e tantas outras urgências do país. E também tenho acompanhado a experiência posta ao serviço, o saber aliado a ideias novas para a Presidência e propostas para o futuro.
Só com muita experiência é possível ser-se inovador, só com muita dedicação se está à altura das enormes exigências políticas, sociais, constitucionais e culturais da Presidência da República.
Nos dias de hoje, qualquer participação cívica parece um obituário, nasce sob suspeita, como se a pessoa fosse menos livre ou participante de uma conjura. Não podemos condenar a falta de novas pessoas empenhadas - e depois condenar as novas pessoas que se empenham.
Pois eu uso a minha liberdade em pleno para apoiar quem acho que prestaria o melhor serviço ao país: dia 18, voto Mendes.
(O autor escreve segundo a antiga ortografia)

