Há quem tenha ido à guerra. Mas eu estive na zona de cortinados do Ikea. E ainda hoje sofro de stress pós-traumático (post traumatisk stress, em sueco). Foram duas horas num par de metros quadrados, a revirar cortinados de trás para a frente, para no fim escolher o que se tinha visto ao fim de 15 segundos. Sempre que por ali passo tenho suores frios, quentes e mornos. Uma sensação que só se equipara ao desespero que me domina sempre que é preciso enfiar um edredão numa capa... do Ikea. O raio do edredão (täcke) nunca cabe na capa (framsida) e fica quase sempre torto (krokig). E lá vêm os suores frios, quentes e mornos, acompanhados da sensação de desmaio. Mas tudo se ultrapassa porque é feito em nome da família. É por isso que não percebo tanto sarrabulho à volta das relações familiares de membros do Governo. Se não ajudarmos os nossos, quem o fará? E a verdade é que no centralão do poder ninguém se fica a rir. Se uns têm parentes, outros têm amigos, que como toda a gente sabe são a família que nós escolhemos. De resto, também há câmaras em que nos serviços se juntam mais familiares do que à mesa da ceia de Natal. Que é quando o homem e a mulher quiserem. Boa Páscoa!
*Jornalista

