Fernando Santos cumpriu o prometido e não fez uma revolução. Do onze contra a Islândia saíam João Mário e Danilo e entravam Quaresma e William. Fiquei contente com a entrada de William mas ao mesmo tempo tive receio que o nosso engenheiro o adaptasse a lateral esquerdo.
A não inclusão de Renato no onze inicial demonstrava que o selecionador nacional estava disposto a abdicar de metade das audiências de TV, para assegurar um processo mais defensivo. Se 10% da população islandesa está em França a assistir ao Europeu , podemos dizer que, com esta decisão de Fernando Santos, 50% dos portugueses desistiram de ver o Euro.
O engenheiro apresentava mais um onze diferente e o que parecia ser um sistema alterado. Por momentos temi que Fernando Santos fosse optar por um 4x4x2-losango, a fazer lembrar a velha tática de Paulo Bento no SCP. O temível Losango das Bermudas que fazia desaparecer a equipa do terreno. Estava pessimista. Confesso que tenho muito pouco de António Costa. Quando o jogo começou as dúvidas ficaram esclarecidas, regressávamos ao 4x3x3 mas o otimismo não aparecia.
A primeira parte não fugiu muito do que tem sido o Euro 2016, um redondo 0-0 e Moutinho tinha feito mais 45 injustificados minutos e, provavelmente, quando sair da seleção vai para administrador da CGD.
Os outros 45 não foram muito diferentes, e o 0-0 por lá ficou. Se o golo é o orgasmo do futebol, temos um euro frígido. No final do jogo a nossa situação não era a melhor. Fernando Santos parecia menos o engenheiro do penta e mais o coveiro do hexa. Tenho saudades dos tiques do mister com o nó da gravata. Agora, já nem tiques tem, está demasiado confiante. Mas por um momento pareceu que Portugal poderia chegar à vitória, com um penálti quase no fim do jogo, como os gregos de Fernando Santos tantas vezes fizeram. O problema é que nós jogamos como a Grécia mas temos a sorte de Portugal.
Mais uma vez devíamos ter chegado para estes austríacos. Não me lembro de ver Ronaldo falhar tanto golo. O dilema de Cristiano, na seleção, é que o raio das embalagens de Ketchup, de abertura fácil, estão cada vez mais difíceis de abrir. Desta vez até um penálti falhou. CR7 fez uma espécie de antónimo do hat-trick puro. Raio de azar. Chega da mania das mulheres giras. Ronaldo tem que ir à bruxa.
