Antes do jogo começar, sabia que esta era a minha décima terceira crónica para o Jornal de Notícias, mas como não sou supersticioso, e só o Moutinho me dá azar, estava bastante optimista só de olhar para o nosso onze inicial.
Na conferência de sexta, Fernando Santos não mentiu quando disse que a fase de grupos já lá ia e que este jogo era para ser encarado de outra forma: "como uma final". Bastou ver o onze inicial, com o meio-campo com Adrien e Cédric a lateral direito, para perceber que, finalmente, o nosso mister estava a levar o Euro a sério. Para ser perfeito, faltava Fernando Santos aparecer a mastigar uma chiclete, e estava ganho.
Cédric foi uma excelente opção, pois, além de ser um lateral mais completo que Vieirinha, tem a vantagem de acabar em ic, e os croatas podiam confundi-lo com um deles e passar-lhe a bola. Eliseu começava no banco de suplentes mas pensei que ia entrar porque o banco não aguentava noventa minutos.
Nos hinos começávamos em vantagem. Excelente a voz de William, enquanto os croatas apresentavam um hino cantado por vozes femininas , o que os obrigou a cantar em falsete e fez com que começassem o jogo com falta de ar. Tenho alguma dificuldade em levar a sério as meias dos croatas. Acho que faltam pompons.
Foi o melhor jogo da nossa equipa desde que chegámos ao Euro 2016. Eu sei que esta frase pode soar estranha, mas o Portugal-Croácia foi como aquelas obras primas do cinema francês: os intelectuais da sétima arte apreciam cada minuto, o resto da malta acha que foi uma grande chatice. Este género de jogo não é para ser disputado em grandes estádios. O Portugal-Croácia é para ser visto na Culturgest.
Se para nós esta forma de ir avançando no Euro é de certa forma uma novidade, para os gregos é um déjà vu. Na crónica de ontem, avancei a hipótese de uma vitória nos penáltis, porque confiava num suposto terrível azar ao amor de Fernando Santos. Depois dos oitavos de ontem, acho que, afinal, não tem nada a ver com a dualidade sorte ao jogo/amor e deixo três perguntas. Qual é a religião do Fernando Santos? Onde é que se assina para ser disso? E é possível canonizar um engenheiro electrotécnico, ou são especialidades diferentes?
Que venha a Polónia.
