Ainda a procissão vai no adro e já se pode falar no efeito Epstein a nível mundial. São cerca de 3 milhões de ficheiros que o governo norte-americano lançou para o Mundo depois de uma votação no Congresso, contra a vontade do presidente Donald Trump. A quantidade de irregularidades que envolve este processo tão complexo e intrigante é uma vergonha para os Estados Unidos e não só, já que a sua extensão dá a volta ao globo terreste. Aparentemente, corresponde apenas a metade da informação recolhida pelo FBI em 2019 que nenhuma Administração anterior teve interesse em revelar. Porquê? Infelizmente a resposta é a mais triste de todas: entre os nomes divulgados e o horror da informação contida nestes documentos, é inevitável a hecatombe da sociedade ocidental tal como a conhecemos, ou julgamos conhecer.
É quase impossível enumerar as enormidades deste processo, no qual o FBI está obviamente comprometido pela forma como está a ser conduzido. Danielle Bensky, vítima de abuso por Epstein em 2004 quando tinha 17 anos, declarou que uma segunda onda de abuso chegou quando viu o seu nome, telefone e outras informações pessoais divulgadas, sem que os abusadores fossem denunciados. Que Administração é esta que expõe as vítimas e protege aqueles que praticaram os abusos? Amadorismo ou premeditação? O que começou como um processo de solicitação de menores para prostituição protagonizado por um ex-analista americano que misteriosamente caiu em graça no meio das elites financeiras e políticas nos Estados Unidos acabou por se relevar uma intrincada teia de interesses que envolve também a Europa e o Médio Oriente.
Mas afinal o que se sabe ao certo de Jeffrey Epstein? Vamos a factos: Jeffrey era um jovem judeu natural de Brooklyn que mentiu no currículo para conseguir um lugar de professor de Matemática e foi despedido por incompetência. Chegou a Wall Street, onde rapidamente se tornou sócio do banco de investimentos Bear Sterns. Em 1981 fundou a Intercontinental Assets Group e em 1988 a J. Epstein Company, para gestão de fortunas acima de um bilião de dólares. Uma dessas fortunas era de Lesley Wexener, dono de marcas como Victoria"s Secrets, que o acusa de lhe ter roubado 48 milhões de dólares e que nega ter conhecimento dos crimes sexuais de Epstein, apesar de a falecida Virginia Guiffre, que se tornou conhecida depois de ter dito que o príncipe André a forçara a ter relações quando era menor de idade, também ter alegado que Epstein a traficou para Wexener. O seu nome aparece mais de 1000 vezes nos arquivos, tal como o de muitos outros milionários, bilionários e políticos que agora negam proximidade com Epstein.
As investigações da jornalista Julie K. Brown, do "Miami Herald", acerca dos abusos perpetrados por Epstein e a Ghislaine Maxwell, que começaram com a recolha de depoimentos de menores recrutadas para frequentar a mansão num esquema de pirâmide, foram fundamentais para levantar o véu. Quanto mais tempo passa, mais dúvidas surgem sobre o alcance tentacular deste monstro e sobre a troca de favores entre aqueles que gravitam no seu vastíssimo círculo de influências, onde aparecem nomes como Trump, o casal Clinton, Bill Gates Elon Musk, entre tantos outros.
Infelizmente, o pior ainda está para vir, neste dominó infinito de informação por tratar, onde aparecem indícios de prática de canibalismo, tortura e sacrifício de bebés e de crianças, em rituais satânicos, estilhaços do espelho horrendo de quem se julga acima da lei.

