Quando ouvi a notícia na rádio do carro que um filme português era candidato aos Oscars, cheirou-me logo a esturro. Abri o capô. A bateria fritou, mas o odor era mais cinematográfico: afinal, confirmei depois, o tal filme é uma curta-metragem (14 minutos) de bonecos. Palmas. Mas pensei que estávamos a falar de uma megaprodução ao estilo da Jornada Mundial da Juventude. Em termos de efeitos especiais, o Oscar estava no papo. Porém, receio que a polémica sobre o assunto não se esgote na fatura milionária do altar (alguém pediu um orçamento a Noé, com experiência em grandes construções em madeira?). A aventada utilização do altar para palco de festivais de música faz-me temer uma manifestação de palcos de festivais. Quem é o altar para interpretar o papel de um palco de festival? Palcos de todo o Mundo, uni-vos!
*Jornalista

