
Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive, reconhecida gestora que também tem funções não executivas em entidades de referência como o CEIIA e a Casa da Música, vai estar na Livraria Lello para mais uma Conversa SK para falar sobre os desafios que se colocam hoje nestes tempos complexos ao mundo da gestão das organizações. A propósito do seu percurso de gestão empresarial e da oportunidade do tema desta sessão junto aqui algumas breves considerações sobre esse grande desafio que cada vez mais temos pela frente - o de saber gerir com um sentido de propósito que seja percecionado por todos os que fazem parte das organizações.
Numa economia global complexa e com níveis acrescidos de concorrência internacional, a gestão acaba por ganhar uma nova dimensão estratégica. O modelo tradicional de criação de valor mudou por completo e nesta fase crítica da economia global a aposta tem que ser clara e centrar-se numa agenda de foco e de construção de redes inteligentes. Ganhar o desafio de uma economia mais inovadora e competitiva passa em grande medida pelo papel que os gestores, enquanto orquestradores de uma agenda de criação e sustentação de valor, têm que saber ter neste processo. O gestor, mais do que nunca, tem que ser um agregador de competências e um indutor de um sentido de modernidade estratégica para as empresas e a economia e geral.
O primeiro grande vetor desta afirmação do gestor passa pela ativação positiva de uma cultura de inteligência competitiva. Dinamizar uma agenda de colaboração em rede, consolidar mecanismos de valorização da ética e da responsabilidade na organização, estabelecer um referencial de mobilização das equipas e dos parceiros para um propósito com sentido. O gestor tem que saber estar presente e fazer parte do processo e de induzir no dia a dia da organização um sentido de ambição e de confiança no futuro, alicerçado nos desafios do presente e na valorização da identidade do passado.
Tudo tem que começar por aqui. Trata-se claramente do vértice mais decisivo do capital estratégico que importa construir neste novo tempo. O exercício de maior seletividade nas apostas empresariais e na qualidade do financiamento e de maior atenção operativa a uma monitorização dos resultados conseguidos terá que ser acompanhado desta ação global de qualificação sustentada que se pretende para a gestão empresarial. Não se realizando por decreto, não restam dúvidas que esta ação de competence building das nossas estruturas empresariais será um exercício inteligente que passa por um compromisso entre o respeito pela tradição corporativa e o papel que a inovação terá que ter neste processo. O gestor terá que ser neste contexto um ator de inteligência competitiva partilhada em rede.
Cabe às empresas o papel central na criação de riqueza e promoção duma cultura sustentada de geração de valor, numa lógica de articulação permanente com universidades, centros I&D e outros actores relevantes. São por isso as empresas essenciais na tarefa de endogeneização de ativos de capital empreendedor com efeito social estruturante e a leitura da sua prática operativa deverá constituir um exercício de profunda exigência em termos de análise. O gestor tem que ser um indutor de modernidade estratégica nas organizações, dotando-as de um sentido de aposta estrutural na procura do valor e da excelência como fatores centrais de uma nova competitividade para a nossa economia e sociedade. O gestor tem que ser um driver de mudança positiva para o futuro, com um verdadeiro sentido de propósito.
