Habitação a preços inacessíveis
A três meses do fim de mandato de Rui Moreira, foi anunciada a construção de 500 apartamentos no Freixo, além de um hotel de 100 quartos, junto ao local onde os autarcas de Porto e Gaia resolveram há uns anos propor uma ponte rodoviária que ninguém percebeu para que servia.
Com a falta de habitação que temos, podia ser uma boa notícia. Mas, algo me diz que os apartamentos terão preços proibitivos. Será que a Câmara do Porto terá o cuidado de fazer com que, pelo menos uma parte, seja acessível para o cidadão comum? Hmm...
Na Foz, entretanto, no eixo que podia ser para metro, vai abrir-se a Via (espero que seja avenida) Nun’Álvares, da rotunda (dita praça) do império (que não há), ao fundo da Gomes da Costa, até à Avenida da Boavista, promovendo a circulação automóvel, ao contrário do que se deve.
Já se esperava, há décadas. O que não se contava é que saísse da cartola um projeto que prevê a construção de três torres com 25 andares. Grandes volumes para permitir casas para todos? Seria compreensível. Todavia, não ouvimos falar de arrendamento social ou venda a custos acessíveis. Pelo contrário, o que se prevê são valores elevadíssimos, pelo privilégio da vista para o mar e sobre as vivendas da Foz (que perdem parte da sua intimidade), em terrenos valorizados pela avenida, cujos proprietários devíamos conhecer. Porque, ao contrário do que acontece no Freixo, aqui o projeto é municipal. Está em consulta, até ao próximo dia 21.

