É costume, quase sempre perante más notícias, dizer-se em tom de desabafo: "Haja saúde"!
Esta expressão ganha uma nova importância entre nós, porque ter um problema de saúde pode significar morrer à espera de uma ambulância (como aconteceu em Sesimbra), esperar num hospital mais de 11 horas num caso urgente (como sucedeu, durante o Natal, no Amadora Sintra) ou ter de estar no chão por ausência de maca (como ocorreu, há dias, no Hospital de Coimbra, com uma senhora com cancro).
Nestas alturas, lembro-me das várias facetas do desenvolvimento. Sermos um país com uma economia a crescer significa o quê, se não somos capazes de responder aos que necessitam do Estado? Depois, há uma dimensão geográfica evidente, num país centralista que fala de coesão territorial, mas não faz nada sobre o assunto. Afinal, por que será que o problema é maior na Área Metropolitana de Lisboa? Pode ser por pior gestão - estou certo que há problemas neste âmbito -, mas também deve haver dificuldade de recrutar profissionais de saúde e socorro, quando os salários não chegam para pagar o arrendamento da habitação. Ou seja, a riqueza que se cria no imobiliário e turismo tem consequências (na saúde e noutras dimensões, como ensino e administração pública).
Longe das AM, o problema é outro: quem convence profissionais qualificados (ou reformados ricos do Norte da Europa) a residir em Melgaço ou Freixo de Espada à Cinta, onde as pessoas recorrem a táxis e demoram mais de uma hora a chegar a uma urgência?

