"Presunção e água benta, cada qual toma a que quer". O velho ditado português resume para mim a história deste fim de semana desportivo. O Sporting foi o primeiro dos grandes a jogar, um terreno complicado, um adversário muito capaz e contra uma equipa que já tinha roubado pontos a rivais este ano. Fomos dominadores, em tudo. Nas tentativas de remate, na posse de bola e, nos cantos a favor, e foi aqui que residiu o problema.
O canto que é, mal, marcado a favor do Sporting depois da, injusta, expulsão de Maxi Araújo, acabou por colocar a bola na cabeça de Hjulmand que, sem hesitar, coloca-a dentro da baliza e garante os três pontos ao fechar do pano. O golo, em si, foi limpo, mas não, não era para ter sido marcado pontapé de canto, mas sim pontapé de baliza. Quenda, que sofreu falta antes de pontapear pela linha de fundo, é o último a tocar na bola. Querendo ou não querendo, foi isto que aconteceu.
Logo se apressaram os comunicados, "o escandaloso roubo", "o futebol português podre" e os "contra tudo e contra todos". Vamos colocar a mão na consciência? Vamos recordar que vivemos o futebol português com casos de apitos dourados e e-toupeiras? Vamos ter consciência que um canto não é um penálti ou só vamos ser honestos para o que nos interessa? O futebol português está podre sim, mas não foi pelo canto do Sporting, foi pelos cantos que foram sendo marcados durante mais de 40 anos a favor dos mesmos. E se Rui Costa sabe dizer que o Casa Pia não teve culpa do penálti que lhe foi marcado a favor, como pode ter o Sporting culpa do canto?
Honestidade intelectual faz falta.
*Adepta do Sporting

