Proibir a utilização da inteligência artificial (IA) nas universidades e nos politécnicos é uma resposta errada a um desconforto legítimo.
Tentar travar, por decreto, uma transformação que já atravessa a economia, o trabalho e a própria produção de conhecimento é negar a natureza do ensino superior. A universidade existe para interpretar o seu tempo e antecipar o futuro, não podem proibi-lo nem fingir que a IA não existe.
É certo que a IA coloca enormes desafios aos estudantes e docentes. Questiona práticas, expõe fragilidades e obriga a repensar rotinas há muito enraizadas. Mas a resposta adequada não é a proibição, é a capacitação. Ensinar a utilizar estas ferramentas de forma crítica, responsável e transparente é a única forma de preparar os estudantes para o mundo real. O problema, aliás, não está na tecnologia, mas nos modelos de ensino que resistem a mudar. A resposta passa pela formação pedagógica dos docentes, pela revisão das metodologias e pela definição clara do que constitui apoio legítimo e do que representa substituição indevida do trabalho intelectual.
Nada disto é novo. Todas as grandes mudanças tecnológicas suscitaram apelos à interdição: foram as calculadoras, depois a Internet, os smartphones e, agora, a IA. Em níveis iniciais de ensino, estabelecer limites pode fazer sentido. Mas a universidade existe para formar pensamento crítico e autonomia intelectual no mundo real, e esse mundo já inclui a inteligência artificial.
Adaptar currículos, rever práticas pedagógicas e reforçar a literacia crítica não é ceder a um vago "progresso tecnológico". É, simplesmente, cumprir a missão da Academia. Proibir, pelo contrário, seria uma forma de capitulação. No fundo, seria renunciar ao futuro.

