Andei anos convencido que a ascensão das máquinas seria feita pela violência - um dia, computadores, torradeiras, máquinas de lavar e varinhas mágicas iriam empunhar armas e dizimar a Humanidade.
Mas, às portas de 2022, verifico que a subjugação do Homo sapiens (e dos menos sapiens) será feita pela palavra. Numa era de comunicações escritas tecnológicas, reina a ditadura do corretor automático. Em quase todas as mensagens que mando, o corretor faz questão de mudar uma palavra. E se eu reescrevo, ele muda outra vez. É a máquina que manda, em todas as plataformas. Ou a Humanidade volta à indignidade de escrever à mão ou acabará a dizer o que a máquina quer. O que, bem vistas as coisas, até será uma bênção para muito boa gente. A avaliar pela quantidade de calinadas ortográficas que se leem por aí, de facto, mais vale o corretor implacável.
*Jornalista

