A pandemia causou um abalo sísmico no sistema educativo, forçando práticas pedagógicas não presenciais de forma massiva por parte de docentes e alunos com uma envolvência do meio familiar nunca vista anteriormente.
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Hoje, a atitude dos alunos, pais e professores perante a indesmentível realidade que o processo educativo se concretiza hoje também no espaço virtual, usando ferramentas informáticas que possibilitam novas formas de comunicação, trabalho de grupo, realização de projetos, acompanhamento individual e avaliação personalizada, é de clara adoção, sendo óbvio que não se regressará ao anterior paradigma do ensino presencial puro.
Isto exige que se repense o estado dos sistemas informáticos existentes no mundo escolar, e se defina qual deve ser o seu papel no sistema educativo, como deve estar organizado e gerido, que serviços deve oferecer à comunidade educativa, para que as práticas de ensino e de aprendizagem se processem da melhor forma, e com o melhor uso dos meios humanos, materiais e financeiros disponíveis.
Isto é particularmente relevante quando se vai iniciar o PRR, que disponibilizará verbas significativas para este setor. É fundamental aplicarmos bem estes fundos e para isso é preciso sabermos o que queremos fazer com eles, para além da compra massiva de material informático e de comunicações.
Ora é importante constatar que em Portugal não existe a noção de "Sistema de Informação para o Sistema Educativo (SISE), ao contrário do que existe e bem na Justiça, na Saúde, nas Finanças e na Segurança Social. Não está cometida a ninguém a responsabilidade pela definição, regulação e funcionamento deste SISE, pelo que o que temos é uma cacofonia de aplicações, servindo objetivos específicos, não interoperáveis, as principais de iniciativa do Ministério de Educação, e muitos da iniciativa das escolas e das autarquias.
Se não se sabe para onde se vai, qualquer caminho serve, arriscando assim desbaratar a oportunidade única que o PRR nos proporciona!
Urge definir o SISE, em amplo diálogo com o Ministério de Educação, as autarquias, e toda a comunidade Escolar. A bem do futuro.
Professor catedrático distinto jubilado do IST e fundador e investigador emérito do INESC
