No passado mês de dezembro, o ministro da Educação, Ciência e Inovação anunciou "a criação de mais de 430 bibliotecas em escolas do 1.° Ciclo" ainda durante o presente ano, dando "prioridade aos agrupamentos sem biblioteca e às escolas com mais de 80 alunos".
O apoio em causa - 3 milhões de euros -, gerado em parceria com o Banco de Portugal, reveste-se de enorme essencialidade para a promoção da leitura, um dos pilares estruturantes do processo ensino-aprendizagem, com impactos que vão para além do Português, abrangendo todas as áreas disciplinares, e apresentando-se como uma iniciativa que dará excelsos frutos no futuro dos nossos jovens, tanto no plano académico como no pessoal e social.
Sendo fundamental para aprender melhor, ler significa ser capaz de compreender o Mundo em geral e o que nos rodeia, potencializando o sentido crítico e interventivo, a autonomia, as competências cognitivas necessárias para, na escola, interpretar enunciados e textos, resolver problemas, obter informação útil para discutir sobre diferentes temas.
No sentido do que tenho defendido, esta decisão foca-se nos alunos em idades precoces, dando a todos a possibilidade de aceder às mesmas oportunidades numa área que se revela curricularmente transversal, tendo em conta o esperado sucesso educativo nos ciclos seguintes.
Os investimentos na educação devem ser direcionados de forma certeira e incrementados em todos os territórios educativos, mormente nos mais desfavorecidos, merecedores de especial atenção da tutela, de modo a que funcione eficazmente o elevador social que é atribuído à escola pública, por ora com uma prestação algo deficitária pelos inúmeros percalços com que se depara no processo, penalizando invariavelmente os mais necessitados.
O mesmo deverá ser concretizado na Educação Especial (urgente), na requalificação das escolas (em andamento demasiado lento), na carreira docente (em negociações, exigindo-se celeridade), nas condições de trabalho das direções executivas (iniciou-se só agora a discussão do estatuto do diretor), nas carreiras dos técnicos superiores e especializados, assistentes técnicos e operacionais (impõe-se revisão dos vencimentos respetivos), entre outras medidas necessárias para elevar a qualidade da escola pública.
Capitalizar a escola é assegurar uma sociedade com maior competência para aprender a pensar, a compreender e a participar na vida de modo crítico e informado. A leitura é a arma primordial!

