Nesta fase de "desconfinamento" que estamos a atravessar, os números que nos chegam da DGS são preocupantes. O "milagre" português não é uma verdade absoluta, e os dados apontam para uma situação em que devemos ficar alerta. Para além dos dados, as notícias que nos chegam de países europeus a restringirem viagens para Portugal não são bons sinais. O cumprimento de regras, numa primeira fase, foi uma resposta extraordinária por parte dos portugueses. No entanto, depois do confinamento, o regresso à normalidade tem tido, por parte das autoridades, um comportamento ziguezagueante.
Não tenhamos medo das palavras. A autorização das comemorações do Primeiro de Maio, do espetáculo do Campo Pequeno e da Manifestação contra o Racismo, por exemplo, foram sinais contraditórios para a população. Sobretudo, para os mais jovens. Porque a perceção é essencial para quem ficou confinado mais de três meses em casa.
Mas, se o exemplo não é claro, também podemos admitir que as medidas tomadas ficam aquém do que seria necessário. Ao dia de hoje, com o uso da tecnologia ao nosso dispor, poderíamos monitorizar quem está infetado, com todo o respeito pela privacidade de todos. Estamos há dois meses à espera de uma aplicação que não chega. Uma aplicação que poderia salvar vidas e ajudar a economia, que tanto precisa.
Podíamos também ser rigorosos nas medidas e não olhar para esta situação sempre com a urgência e a pressão de quem não resolve atempadamente. Não podemos ficar à espera. Não podemos ficar sem medidas cirúrgicas. A solução é simples e vem nos livros: liderança pelo exemplo e comunicação clara.
*Engenheiro e autarca do PSD
