Nunca gostei muito do Festival da Canção, mas prefiro os kiwis da Dina à xaropada do Salvador Sobral, mesmo que nos tenha dado a Liga dos Campeões. Mas a minha música preferida é o Conquistador, embora agora me dê problemas de consciência. Será que podemos cantarolar Conquistador sem vir a polícia dos bons costumes lembrar-nos que a palavra é abusiva, opressiva? Devemos obliterá-la? Remeter Da Vinci para as trevas dos proscritos? A voz de lei-Or não merece. A brigada de higienização já chegou aos livros. Há que esconder as obras que podem ferir suscetibilidades. É preciso linguagem inclusiva. Aprontem os fósforos, não vá ser preciso umas fogueiras. Comecem pelos livros de História que estão cheios de coisas obscenas. O que vale é que já temos "literatura" escrita por inteligência artificial. A estupidez é que é sempre pura. E infinita.
*Jornalista

