O nível de conteúdos agressivos, misóginos e amorais publicados por influenciadores elevados à categoria de vedetas causa há muito perplexidade. Essa é, aliás, uma das razões para a crescente regulação do acesso de menores de 16 anos às redes sociais, onde tudo circula e se mistura de forma perigosa. O que não se esperaria, nem se pode tolerar, é que seja a escola, a mesma que proibiu telemóveis e criou guiões para diretores e professores, a permitir a entrada destas mensagens nos seus recintos.
Em setembro, a "Notícias Magazine" (revista de domingo do JN) publicou um trabalho sobre a sexualização de crianças por via da música e incluía testemunhos de professores sobre o que se vai ouvindo nos recintos e festas escolares. Nos últimos dias o "Público" trouxe dados novos sobre a entrada de influenciadores, a convite de associações de estudantes. Mais do que qualquer outro argumento, choca a desresponsabilização de diretores que dizem não controlar quem vai à escola.
Haverá quem encolha os ombros e considere exagero falar da hipersexualização de conteúdos, até porque as letras carregadas de mensagens abusivas são omnipresentes no espaço público. Mas não faltam alertas de especialistas sobre as consequências: diluição de conceitos sobre o corpo e o consentimento, relações de género desiguais, banalização do consumo de pornografia. O acompanhamento pelos pais é por si só um desafio. Espera-se, contudo, que a escola seja um espaço seguro, em que entra quem as direções autorizam, com critérios claros e enquadrados na atividade pedagógica. De nada serve termos orientações para o "bem-estar digital", se os figurões das redes andam ao vivo pelas escolas, em tronco nu, a espalhar todo o tipo de mensagens aberrantes.

