Em relação à transmissão de SARS-CoV-2, quanto maior a distância física e menor a concentração das pessoas, menor o risco. As máscaras fazem parte de um pacote de medidas que se tem mostrado eficaz no corte da transmissão. Não são úteis sozinhas.
Há uma grande variedade de máscaras que funcionam como barreira física e protegem o utilizador e, sobretudo, as pessoas que o rodeiam. Discute-se agora se devem todos utilizar máscaras de proteção (usadas sobretudo por profissionais de saúde em contexto de risco de exposição a doentes com covid-19), ou se se devem usar várias camadas de máscaras.
O nível de proteção vai depender do tipo de máscara, mas sobretudo da forma como é usada. Nenhuma será eficaz se for mal utilizada. Nenhuma (mesmo que tivesse tecnologia aeroespacial) servirá de barreira se for colocada debaixo do nariz, no queixo ou em jeito de bandolete, mais horas ou vezes do que previsto, e se não se cumprir a distância física. Não esquecer que as máscaras de proteção têm igualmente de ser bem ajustadas e a sua utilização é mais restritiva pelo desconforto térmico e resistência respiratória.
Não confundamos também máscaras de confeção caseira com máscaras sociais certificadas. E, mesmo nestas, não confundamos a máscara com a sua má utilização. O seu correto uso, para além da adequada colocação, passa por garantir que é lavada de acordo com as instruções do fabricante, com a frequência e número de vezes recomendados, e que é descartada quando esse número é ultrapassado.
Independentemente do tipo de máscara que use, não esqueça que para que elas reduzam o risco de transmissão, é mesmo preciso que o faça corretamente e que se cumpram todas as outras medidas de prevenção. As máscaras não funcionam isoladamente. Nenhuma é "à prova de bala".
Pneumologista
