A perspetiva mais inconformada dirá que perdemos mais uma oportunidade de atirar um dos nossos adversários diretos para um prematuro fim de época. À semelhança do Sporting, também já sucedera com o Benfica. Tal como merecíamos algo mais do empate com águias, também aqui a dificuldade em aceitar: mais do que o resultado, é difícil conceber a situação em que nos colocámos após o golo. O Sporting não é uma equipa qualquer e é natural que, após um jogo em que o xadrez dominou um desporto chamado futebol, o F. C. Porto tivesse indiscutíveis cautelas a proteger a sua baliza após marcar um golo. O que não é concebível, porém, é que o tenha feito recuando linhas, abdicando de um controle mínimo do jogo, com Diogo Costa a pontapear bolas que durante os anteriores 75 minutos foram trocadas entre os nossos defesas.
O convite à reacção do Sporting foi enorme. E o pré-aviso estava afixado: jogávamos contra uma equipa que tem passado a época e os últimos meses a virar resultados nos últimos minutos. Este não foi exceção, destino traçado no último lance do desafio decorrente de intensa pressão leonina, com um erro infantil num penálti indiscutível de Francisco Moura. Diz-se que isto é futebol? Também é falta dele. O F. C. Porto, após a derrota frente ao Casa Pia, acrescenta meio ponto sobre o Sporting, tendo em conta o confronto direto. A única equipa que deveria ter a obrigação de ganhar era o Sporting, mas de Alvalade veio uma equipa a querer sair viva. Nada mais. Competente mas defensiva. Anulada por um F. C. Porto com a lição bem estudada, como um aluno que não consegue tirar grandes notas. E assim terá que ser neste ano, o destino de sermos campeões sem uma vitória num clássico no Dragão.
*Adepto do F. C. Porto

